Era um pequeno comércio de vidros com apenas duas portas e uma fachada simples, ornamentada com um painel. O local ficaria conhecido como “Casa do Cruz”. Ali surgia o embrião da papelaria, que já atravessa três séculos e fornece material escolar e artigos de pintura para gerações e gerações de cariocas. Pouco tempo depois do Brasil se tornar república, surgia um modesto estabelecimento na Travessa Francisco de Paula, número 4, como era chamada a Rua Ramalho Ortigão naquela época.

 

A Casa Cruz foi fundada em 6 de dezembro de 1893 por José Rodrigues da Cruz, depois que foi desfeita a sociedade que ele mantinha com o seu pai, o comerciante português Manoel Rodrigues da Cruz, desde 1870, em uma loja de artigos marítimos. Tal estabelecimento ficava localizado na Rua Teófilo Otoni.


Apesar de a loja ter também como atividade principal a venda de vidros, a proposta de José Rodrigues da Cruz parecia mais arrojada. Os sócios resolveram investir de forma agressiva na venda de vidros para atender a indústria de construção civil, o que se desdobrou na comercialização de outros produtos, diversificando e ampliando ainda mais as possibilidades de crescimento efetivo do empreendimento.

Antes do início da 2ª Guerra Mundial, numerosos itens procediam do exterior: vidros da Bélgica, papéis da Suécia, papelão da Holanda, papéis especiais para gravura e desenho importados do Japão e da Itália, além de requintados papéis perfumados da França e objetos de escritório da Inglaterra e dos Estados Unidos.


Em 1943, houve um incêndio na Parc Royal, tradicional casa de tecidos que funcionava no Largo de São Francisco, numa construção imponente, com 140 janelas, 48 vitrines externas e cinco portas de entrada, além de 32 seções de venda. O desabamento da loja acabou afetando a estrutura da fachada da Casa Cruz.


Em 2007, no dia 23 de dezembro, a própria Casa Cruz sofreu um incêndio em sua loja do Centro do Rio, na Rua Ramalho Ortigão. A empresa recebeu mensagens de solidariedade de clientes, amigos e até concorrentes comovidos com o ocorrido. Em 2008, teve início à reconstrução da loja, que durou um ano, e manteve as características originais do casarão. A Casa Cruz voltou muito mais moderna e bonita.